A assinatura de um protocolo de intenções marcou, na manhã desta terça-feira (30), o início da construção de um plano para a cidade de Caxias do Sul melhorar seu manejo de resíduos sólidos. A assinatura do documento e a mobilização da comunidade para discutir o novo modelo são parte das ações do programa Água Brasil, concebido pelo Banco do Brasil e desenvolvido em parceria com a Fundação Banco do Brasil, Agência Nacional de Águas e a ONG ambientalista WWF-Brasil.
O protocolo foi assinado pelo prefeito municipal, José Ivo Sartori, o superintendente do Banco do Brasil em Caxias do Sul, Rosélio Arnoldo Furst, o gerente de parcerias, articulações e tecnologia social da Fundação Banco do Brasil, Jéfferson D’Avila de Oliveira, e o coordenador do programa Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF-Brasil, Fábio Cidrin.
A cerimônia de abertura ocorreu na abertura de oficina participativa para construção do plano de coleta seletiva, consumo consciente e reciclagem de Caxias do Sul, município de 435 mil habitantes localizado na Serra Gaúcha. “Queremos que a própria comunidade construa o plano que teremos para a cidade”, diz Fábio Cidrin. “Com base na análise de diagnóstico, parcialmente concluído, vamos começar a formatar este plano para a cidade, com a participação de todos os interessados”, diz o especialista. “É muito importante que todos participem. Dessa maneira, o plano poderá representar democraticamente a diversidade e a riqueza de opiniões da população de Caxias do Sul”, acrescentou.
O plano deverá apontar ações e iniciativas para aprofundar e qualificar o sistema de coleta seletiva existente na cidade há 20 anos, que se destaca no país como um dos mais antigos e mais eficientes. “O município de Caxias do Sul desenvolve excelente trabalho em termos de reciclagem. Por isso, tem sido referência no país e para todos nós. Caxias se antecipa à obrigatoriedade de cumprir a legislação vigente”, disse Furst, referindo-se à Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no ano passado.
A lei estabelece, entre outras exigências, que os municípios tenham aterros sanitários, em lugar dos lixões existentes na maioria dos municípios. Os aterros sanitários, diferentemente dos lixões, não contaminam o solo nem a água, porque são impermeabilizados e seus efluentes são tratados. Outra exigência é que só cheguem ao aterro sanitário, a partir de 2014, materiais considerados “rejeitos”. Todo o resíduo reciclável e toda a parcela orgânica do lixo devem ser reaproveitados.
O prefeito José Ivo Sartori informou que o total de material reciclável coletado diariamente pela prefeitura chega a 90 toneladas. Nem todo este material, porém, é aproveitado pelas associações de catadores, para onde este tipo de resíduo é encaminhado. A população ainda dispõe rejeitos e orgânicos junto com o material reciclável, o que prejudica seu reaproveitamento. Além disso, em alguns casos, as associações não conseguem absorver todo o volume recolhido na coleta seletiva. O aterro sanitário de Caxias do Sul recebe cerca de 320 toneladas de resíduos a cada dia.
“Nosso plano de trabalho deve estudar gargalos, oportunidades e adaptações necessárias. Também queremos incluir campanhas e iniciativas de comunicação e conscientização, de maneira a obter ainda mais apoio da população”, disse Fábio Cidrin.
A oficina participativa se estende até o final da tarde desta quarta-feira (31), no auditório do Bloco 46 da Universidade de Caxias do Sul.
Os avanços obtidos em Caxias do Sul poderão ser replicados para outros municípios. O Programa Água Brasil desenvolve ações relacionadas a consumo consciente e reciclagem em cinco municípios piloto, localizados nas cinco regiões brasileiras. Além de Caxias do Sul, as ações se dão em Belo Horizonte (MG), Natal (RN), Pirenópolis (GO) e Rio Branco (AC).
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